Solidão faz mal. A afirmação que parece inserir-se em um rol de lugares-comuns, tem sido comprovada pela ciência: o isolamento faz com que as pessoas adoeçam mais e vivam menos. Os ganhos da proximidade aparecem de forma mensurável no corpo. Nesse sentido há um estudo realizado na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, que comprovou um fato curioso: pessoas que vivem isoladas são mais sucetíveis ao vírus da gripe comum que aquelas que travam vários contatos (apesar de estas últimas estarem, pelo menos em tese, mais expostas ao risco da contaminação).
Porém, nem sempre é fácil simplesmente inserir-se em círculos sociais. Principalmente os moradores das cidades grandes que enfrentam todos os dias, tantas demandas não só profissionais, mas de diversas ordens, que as vezes se perdem em meio aos afazeres da rotina. E, não raro, ficam pelo caminho pessoas queridas, com quem gostaríamos de estar mais (hum como isso me é familiar...). Juramos nos encontrar para um café, um jantar... As semanas se vão em ritmo alucinado, e quando vemos chegou abril, já é maio e , de novo, o ano quase acabou.
Em meio a esse turbilhão, a maioria termina por direcionar a energia psíquica, atenção e expectativas a um círculo restrito de amigos, parentes, ou com grande frequência, unicamente a atividades profissionais. Se por um lado essa concentração em poucos focos parece menos trabalhosa, por outro, as chances de obter recompensa se tornam mais restritas. Muitos conhecem pessoas que se dedicam durante muitos anos a um único emprego e quando são demitidas ou se aposentam sentem-se como se tivesse perdido a identidade, sua razão de viver. Os especialistas fazem um alerta: é preciso "espalhar os ovos em várias cestas", experimentar possibilidades, ouvir (mesmo aqueles com quem nem sempre concordamos) e dar a si mesmo a oportunidade de pertencer ( a um grupo, uma turma, uma classe), incluir-se, ocupar lugares. E , de preferência, não esperar que todas as satisfações venham de um único "lugar".
Dessa forma, angariamos mais "companheiros de viagem", permitimos que o outro se torne testemunha de nossa história e também passamos a desempenhar esse papel em inúmeras vidas.
E nossos dias podem se tornar um pouco mais divertidos.
Gláucia Leal (editora da revista Mente e Cérebro)
Bem, li esse texto e percebi que ele dizia algo que já tinha pensado em postar. Então decidi: vou escrever e enriquecer com alguns pontos do texto dela. Mas conforme acaba de ler nem sempre conseguimos fazer o que queremos por conta das "demandas do dia-a-dia".
Nesse caso acabei reproduzindo na íntegra para que a essência da idéia, seja minha ou dela, seja compartilhada com você...isso é o mais importante!
E reproduzo porque concordo, porque insisto, precisamos desesperadamente de relacionamentos. Ser humano sozinho é ser doentio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário